Projeto Condor

O Condor  (Vultur gryphus)

Durante milhares de anos, o Condor Andino, a maior ave voadora do mundo, foi venerada pelas comunidades originárias da América do Sul, que a consideravam o próprio espírito dos Andes, um nexo sagrado entre os homens e Deus.

Apesar de ter sido abundante em outros tempos, este animal emblemático, elo simbólico com nosso passado cultural, se converteu hoje, infelizmente, em um desafio de conservação.

O condor é uma ave de grandes dimensões. De comprimento, chega a medir 1,2 metros e as asas podem atingir 3,15 metros. O macho se diferencia da fêmea por ter uma crista sobre a cabeça. Os machos chegam a pesar até 15 Kg, e as fêmeas, 11 Kg.

Excelente planador, pode ficar horas planando nas correntes de ar. Usualmente, pelo menos em alguns lugares, não voa até que a manhã chegue.

A alimentação básica do Condor Andino consiste em carniça de mamíferos grandes. Nas colônias marinas, come os ovos de outras aves e um ou outro pombinho. Às vezes, opta por animais moribundos, recém nascidos ou ovos de outras aves, quando a carniça está escassa.

Faz ninho em fendas ou cavernas de lugares íngremes, botando um ovo a cada dois anos. Tanto o macho quanto a fêmea cuidam da cria, a qual fica no ninho por 6 a 8 meses, separando-se de seus pais entre os 5 e 8 anos.

O Condor Andino é a ave emblemática do Chile e se encontra em um estado vulnerável.

 

Projeto Condor

O Programa Binacional de Conservação do Condor Andino (PBCCA – Programa Binacional de Conservación del Cóndor Andino), iniciado no ano 2000, reúne o esforço de preservação, que realiza o Chile e a Argentina, por esta ave emblemática. O objetivo é potencializar os esforços locais e ampliar o conhecimento e a conservação da espécie na América do Sul.

O projeto é apoiado pela União de Ornitólogos do Chile (Unión de Ornitólogos de Chilewww.aveschile.cl), pelo Serviço Agrícola e Pecuário (Servicio Agrícola y Ganadero – SAG), pelo Zoológico de Buenos Aires e pela Fundação Bioandina Argentina (Fundación Bioandina Argentina).

Em dezembro de ano de 2001, como primeiro passo do trabalho em conjunto, foram liberados os primeiros exemplares juvenis de Condores, a maioria nascida em cativeiro, e outros exemplares reabilitados, provenientes de diferentes zoológicos da Argentina e do Chile.

Atualmente, o Programa Binacional segue em desenvolvimento, abarcando diferentes aspectos, como a investigação da espécie na vida silvestre, os estudo das variáveis que afetam ou estão relacionadas com sua sobrevivência e o desenvolvimento de novos métodos para a reintrodução de indivíduos em lugares onde suas populações estão desaparecendo.

Neste contexto, é importante mencionar que, durante a última, década foram liberados mais de cem condores através deste programa.

 

Centro de Reabilitação de Aves Rapazes (Centro de Rehabilitación de Aves Rapaces - CRAR)

Em 1991, o Serviço Agrícola e Pecuário (SAG) apoiou, oficialmente, o funcionamento do centro, mediante a assinatura de um convênio com a União de Ornitólogos do Chile (AvesChile), concebendo-se, pela primeira vez neste país, a existência oficial de um centro de reabilitação para a fauna silvestre.

Existe um convênio de cooperação com o Zoológico Nacional do Chile (Zoológico Nacional de Chile), do Parque Metropolitano, onde são realizados os tratamentos médicos maiores, tais como radiografias, cirurgias gerais, cirurgias ósseas, dentre outros. A etapa de recuperação e reabilitação é levada a cabo nas instalações do centro de reabilitação.

O objetivo principal é o cuidado e recuperação de aves rapazes acidentadas, feridas e/ou mantidas em cativeiro ilegal, através de um trabalho integral, que combina reabilitação, investigação e educação, tendo como foco principal a reinserção da ave no seu habitat natural.

Desde 1990 até hoje, o centro recebeu mais de 1.000 exemplares, correspondentes da mais de 15 espécies.

Atualmente, o CRAR recebe mais de 100 aves por ano, para reabilitação.

O centro conta com uma população de aproximadamente 100 indivíduos, de 14 espécies diferentes (rapazes e carniceiras), tais como: condores (Vultur gryphus), águias (Geranoaetus melanoleucus), falcões peregrinos (Falco peregrinus), francelhos (Falco sparverius), corujas brancas (Tyto alba) e tucúqueres (Bubo magellanicus), entre outras.

Reabilitação de Condores Feridos

Os condores feridos (por disparos, acidentes etc.) ou confiscados pelo Serviço Agrícola e Pecuário do Chile, chegam ao Centro de Aves Rapazes ou ao Zoológico Nacional. Uma vez examinados para constatar suas lesões, são destinados para reprodução (se são exemplares que não podem ser liberados) ou para reabilitação e liberação (se são exemplares recuperáveis).

 

Liberação de Condores e Outras Aves

Desde 1999, os condores mantidos no Centro de  Aves Rapazes que estão impossibilitados de serem liberados, estão acasalando e pondo ovos. No ano 2000, foi registrado o primeiro êxito com um exemplar que nasceu no centro e, após um longo processo, pôde ser liberado com outros exemplares, no contexto do Programa Binacional de Conservação do Condor Andino. Posteriormente a esta primeira experiência, foram conseguidos diversos outros bons resultados, com outros casais reprodutores.

Para fazer uma liberação, é necessário entender que se trata de um complexo processo de reabilitação e reinserção, que começa quando as aves rapazes são encontradas em diversos pontos do país e reabilitadas pelo centro de reabilitação de aves rapazes, para depois serem transladadas à pré-cordilheira, com o fim de colocá-las em liberdade. Tudo isto pode demorar até 3 ou 4 anos.

Uma vez feita a liberação, os condores são monitorados durante os meses seguintes, graças a transmissores satelitais instalados nas suas asas, o que permite uma maior certeza sobre sua reincorporação adequada ao ambiente, além de possibilitar a entrega do apoio que seja necessário.

As liberações dos condores, normalmente, contam com a presença de autoridades regionais e do governo, bem como com uma ampla cobertura da imprensa.

Nos últimos anos, as liberações foram levadas a cabo na cordilheira central do Chile, tanto em Yerba Loca como na Cordillera de Rancagua, sempre apoiadas por empresas que contribuem com o financiamento necessário para esta grande tarefa.

Eduardo Pavez, codiretor do Programa Binacional, ressalta que “a liberação é um marco dentro do longo processo de reabilitação dos condores. Conseguir que estas magníficas aves voem novamente forma parte de uma série de iniciativas que tentam incentivar o respeito que devemos ter com a natureza”.

Neste contexto, é importante ressaltar que, durante a última década, foram liberados mais de cem condores.

 

Voluntários

Os voluntários desempenham um papel fundamental no desenvolvimento e execução do projeto. Sem a ajuda e o amor destas pessoas, nenhum condor poderia voltar a voar.

O EcoHostel sempre recebe hóspedes interessados em serem voluntários e participarem ativamente do Projeto Condor.

A participação de cada voluntário dependerá de diversas variáveis, tais como:

  • Tempo que deseja dedicar ao projeto.
  • Idiomas que fala.
  • Conhecimento sobre o cuidado de aves.
  • Período do ano durante o qual está disponível.

Trabalhos a serem realizados, dependendo das variáveis anteriormente mencionadas:

  • Alimentar as aves rapazes.
  • Limpar os recintos e jaulas onde ficam as aves rapazes.
  • Monitorar as aves liberadas.
  • Cuidar e observar os condores no período anterior à liberação.
  • Recolher, de diferentes provedores, os alimentos e doações para, depois, levá-los ao centro de reabilitação ou ao lugar de liberação dos condores.
  • Outras várias ajudas.

 

Contribuição do EcoHostel

  • O EcoHostel Chile contribui, mensalmente, com o Centro de Reabilitação de Aves Rapazes, dando uma % da sua renda. Este dinheiro é destinado, fundamentalmente, ao melhoramento da infra-estrutura do lugar, bem como ajuda, em parte, na liberação dos condores.
  • Fomentamos a participação de voluntários que ajudem tanto no Projeto Condor, quanto no Centro de Reabilitação de Aves Rapazes, de uma maneira geral.
  • Convidamos nossos hóspedes a visitar o centro de Aves Rapazes e ter a oportunidade de ver, de perto, alguns exemplares de condores, águias, corujas e falcões chilenos.
  • Colocamos à disposição do Projeto Condor toda nossa infra-estrutura, com o fim de dar todo o apoio possível. Dessa maneira, em algumas ocasiões, emprestamos veículos para que fossem levados alimentos para a montanha, durante o longo e delicado processo de liberação.
  • Nas paredes do EcoHostel, contamos com informações sobre os condores, sobre o centro de aves rapazes e as liberações.
  • Oferecemos um “Condor Watching” (observação de condores) na montanha, com o fim de observar esta ave em seu habitat e, assim, poder dimensionar toda sua magnificência.
  • Vendemos camisetas com o slogan “Condor Project”, com o fim de obter financiamento para o projeto.

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